Record sofre com processo na Justiça e o retorno de suas estrelas à Globo
9/04/2011
A Rede Record segue perdendo profissionais para a Globo e até sofre com processos na Justiça.

O script foi seguido à risca. A qualidade dos equipamentos e o nível de seus profissionais passaram a ser uma obsessão, foram inaugurados os estúdios RecNov, em Vargem Grande, e arregimentados técnicos e estrelas da concorrente — cerca de oito em cada dez funcionários foram trazidos diretamente da rival. Logo os resultados apareceram e se refletiram no faturamento publicitário, que fechou o ano passado em 1,6 bilhão de reais. Tudo ia muito bem. Mas, como nas boas tramas de novela, a situação se inverteu. A média de audiência diária estacionou nos 7 pontos — a da Globo gira em torno de 18 — e a debandada de suas estrelas é nítida mesmo para quem não possui um sistema HD. Insatisfeitas com as condições de trabalho, elas começam a fazer o caminho de volta ao Projac.
Implantar uma cultura vencedora e comprometida com a qualidade não é uma tarefa simples. Investimentos maciços e contratação de talentos desenvolvidos nos rivais mais poderosos podem até ajudar, mas não são nenhuma garantia de sucesso. De fato, a parceria com a Igreja Universal garante à Record disponibilidade de recursos para montar e manter uma estrutura de primeira linha. Apenas no ano passado, a emissora recebeu 430 milhões de reais relativos à compra de horários na programação — o equivalente a um terço de tudo o que arrecada no mercado publicitário. Trata-se de uma vantagem competitiva que nenhuma outra rede desfruta. No entanto, ainda há muitos ajustes a ser feitos no modelo recém-implantado. Atores que deixaram a empresa nos últimos meses criticam o amadorismo das produções, nas quais são comuns atrasos, falta de sintonia entre as equipes de figurino e de diálogo com a direção. “Existe uma sensação de que ali cada um faz o que quer”, diz um deles, que prefere não se identificar.
Como efeito colateral, a agressiva política de contratações desaguou em processos trabalhistas. Para pagar salários mais altos, a rede dos bispos arregimentou boa parte dos funcionários por meio de empresas abertas por eles, um expediente para diminuir os encargos tributários. Até aí, tudo bem para os recém-chegados. Conforme os contratos não foram sendo renovados — ou eram rescindidos —, o esquema passou a ter sua legitimidade questionada na Justiça. Diretor de novelas de sucesso na TV Globo, Flávio Colatrello é um dos que brigam nos tribunais. Em 2004, ele foi convidado pelo então diretor Herval Rossano para implantar a teledramaturgia. Seria dispensado três anos depois. “Dei muito mais à emissora do que o salário que recebia”, afirma. “Espero receber as férias e horas extras que eles não me pagaram.” Para a Record, ficam duas lições: o caminho para o sucesso é árduo e os atalhos, muitas vezes, são mais acidentados que a via principal.
Com informações da Veja Rio.







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